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DESABAFOS

Razoavelmente insuportável…

Razoavelmente insuportável…

DESABAFOS

15
Jan26

Entre partidas e chegadas... 1984


ROMI

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"Era um dia  de abril frio e luminoso , e os relógios batiam as treze."

Tive, desde o início, a nítida sensação de que não era um livro para ser lido em casa, como se o espaço reservado à leitura fosse demasiado pequeno . Mas também não é um livro para a luz do dia, por muito que goste de ler à beira-mar. É um livro para ser lido em viagem, de preferência de comboio, onde cada estação é uma página e cada paisagem, uma frase.

 

Está decidido. Tendo em conta que o livro não é muito grande, permite uma viagem de ida e volta no mesmo dia.

Comboio de ida
Lisboa Oriente → Faro
Partida de Lisboa Oriente às 10:02
Chegada a Faro às 13:30

Regresso
Partida de Faro às 14:15
Chegada a Lisboa às 17:47

Depois eu conto…

 




 

 

15
Jan26

Adicionar o botão "SEGUIR"...


ROMI

Vários membros têm partilhado posts com os links dos seus novos blogs na plataforma Blogger. No entanto, muitos desses blogs não têm activo o botão Seguir. Sem essa opção, torna-se quase impossível acompanhar novos conteúdos sem andar a guardar links, o que não é nada prático.

Deixo esta sugestão com um único objectivo: facilitar a ligação entre bloggers, permitir que nos possamos seguir mutuamente e continuar a ler-nos com a mesma proximidade, mesmo mudando de plataforma.

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No painel do Blogger:

  1. Esquema

  2. Clicar em Adicionar um gadget

  3. Aparecem várias opções. Escolher Seguidores

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  4. Ao guardar, o botão Seguir passa a aparecer no layout do blogue

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    Mantenho a esperança que nada disto vai ser necessário e vamos continuar por aqui felizes e contentes. Mas, just in case, como dizia a minha avó ...

 

 

 

13
Jan26

Como salvar o blog e importar para o Blogger


ROMI

Já “salvei” o meu blog. São estes os passos, conforme a imagem:

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Ao guardar o download na área de trabalho, o ficheiro aparece normalmente zipado. Basta clicar com o botão direito do rato e escolher Extrair tudo.

No Blogger:

Entrar no blog
Ir a Definições
Descer até Importar conteúdo
Clicar em Importar
Quando abrir a janela para escolher o ficheiro:
Navegar até à pasta extraída
Seleccionar o ficheiro .xml

Sigam-me para mais dicas de sobrevivência digital  (sempre me apeteceu dizer isto, risos).

13
Jan26

Palavras em trânsito...


ROMI

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A SAPO Blogs vai encerrar e estamos tristes, claro. Foi aqui que muitos de nós deixámos palavras, silêncios,  rotinas e onde se formou, inclusive, um imaterial sentimento de amizade. Um lugar não desaparece quando fecha. Permanece enquanto houver quem leve as memórias consigo. Convém, ainda assim, não dramatizar em excesso. Há outras plataformas. Nenhuma será exactamente igual, mas não nos roubam o essencial. Escrever continua a ser escrever. Ler continua a ser ler. Quem gosta verdadeiramente de palavras acaba sempre por encontrar um sítio onde as pousar, mesmo que isso exija alguma ginástica digital. Seguimos com a casa às costas.

É tempo de ir fazendo as “malas”, guardar algumas palavras e preparar-me para o encerramento total. Vou permanecer até ao fim, limpar a casa, organizar o que fica. Estou grata pela forma como fui aqui acolhida. O sentimento de que um ciclo se encerra não me é estranho. A minha vida será sempre feita de saudade e de pessoas que ficam, irremediavelmente, para trás.

11
Jan26

Palavras de papel...


ROMI

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Às vezes imagino-me
a dizer coisas bonitas
e deixo-as partir,
sozinhas,
à deriva,
num barco de papel,
esperando que um dia
cheguem a ti.

Se se perderem,
que seja em mar aberto,
onde as palavras,
como as mágoas,
destemidas,
flutuam,
não se afogam,
sabem respirar.
Caso as recebas,
não as devolvas.
Nem digas nada.

Basta saberes
que eram minhas.
E são todas para ti…

imagem Pinterest

 

08
Jan26

As mão dela...


ROMI

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Salvou-se como se padecesse de uma doença terminal e, no espanto da cura, a atribuiu a um milagre. Salvou-se, lavou as mãos para limpar o contacto da mão dela na sua e o cheiro do creme barato comprado na drogaria do Aníbal, que faz esquina com o bar onde, em tempos, timbraram o seu amor, servido em chávena quente, fumegante, aroma a café, moagem fina, Lote Barista. Ficou livre como um pássaro de inverno, que não pia nem suspira, mas ainda tem asas. Tristão sem Isolda, Romeu sem Julieta, história em branco de um casal que Shakespeare, em drama de som e fúria, significando nada, é a vida, não chegou a registar. Salvou-se, por milagre, de ser eternizado em literatura de cordel, em modo Corín Tellado como a madrasta dela gostava.

Alívio. O que fica escrito é para sempre e não pode ser apagado, nem com a parte azul da borracha que rasga o papel para apagar a tinta. Um-dó-li-tá, quem está livre, livre está. Ele está. A aritmética do desamor é simples: menos com menos dá mais, mais com mais dá mais, menos com mais dá menos e mais com menos dá menos. Menos dois. Menos um par. Como as meias, que são aos pares. Ele não.

Salvou-se por milagre da Senhora da Montanha, em Cáceres, onde fizeram juras eternas, válidas enquanto durou o amor. A Senhora da Montanha libertou-o. Sem pulseira eletrónica. Sem anel de noivado. Salvo, libertação total: burocrática, administrativa e emocional. Como a novela Turca que passa em horário nobre numa televisão qualquer. 

Salvou-se. Mas a salvação veio sem testemunhas, sem arroz e pétalas brancas à saída da igreja. Não houve aplauso nem relato para repetir. Ficou só com o eco dos próprios passos, a casa demasiado grande e a mesa posta para um menu de silêncios e memórias para brindar em flute de champanhe, barato, sem bolinhas efervescentes que explodem no nariz. A solidão vicia com a prática, diz o anúncio do centro de meditação e reabilitação do Arieiro. Aprendeu a silenciar, a não partilhar frases a meio, a não esperar resposta e a tentar adivinhar o que dizem os vizinhos, com o ouvido colado a paredes meias, só para ouvir uma voz que não a sua. As noites tornaram-se um exercício de resistência, não por saudade declarada, mas pela ausência de partilha. Dormir na cama grande que não aquece em conchinha, nem ronrona como um gato mimado que aguarda saquetas Gourmet.

Salvou-se, sim. Mas foi condenado a esse silêncio difícil, onde ninguém o prende e ninguém o chama, ninguém o larga. A liberdade revelou-se um espaço vazio que não adiciona. Aprende-se devagar a viver nela. Como a ladainha da rolha da garrafa do rei, pinga a pipa, pia o pinto. Sozinho, como ele, que arrefece o silêncio servido em chávena quente, no bar que faz esquina com a drogaria do Aníbal, onde compra o creme barato para ficar com as mãos a cheirar às mãos dela.

 

07
Jan26

Sintaxe da Fuga…


ROMI

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Num esforço semântico
quis escrever
um poema de amor.

Completo.

Velas.
Flores.
Corações.

O fogo que arde sem se ver.
O contentamento descontente.

Mas, num impulso, o amor
rasga o papel.
Sai do poema.

Não por erro ortográfico,
nem por cansaço.

Foge do poema
para fugir de mim.

E o que fica
é o nó desfeito.

O papel vazio.
Um poema mutilado.

                                                                                                                                                                                                                                                                   

Imagem Pinterest

 

 

05
Jan26

Uma questão de estatuto...


ROMI

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2.jpg Tirana International Airport Nënë Tereza (TIA)

Um dos bares do aeroporto “não sei das quantas”. Uma fila enorme. Nunca hei-de perceber porque é que as pessoas não levam farnel no avião, já que a comida que lhes é servida a bordo não as satisfaz. Depois, quem só quer uma simples garrafinha de água, um singelo café, sofre horrores à espera de ser atendido e, claro, quando chega a vez, já sente a fome a transmutar-se numa irritabilidade gratuita, daquelas que nos deixam o humor num estado de alerta vermelho.

Alguém me chama a atenção para algo. Cá conversas, digo logo, em inglês, messóri não sepico inglis. A minha amiga, perdida de riso, diz que o senhor me está a falar em português. Pronto, tinha de ser. Se estou em Portugal, ninguém fala comigo, nem para perguntar as horas. Põe-se um pé em ramo verde e aparece logo um compatriota, feliz e contente por ouvir falar o nosso vernáculo. Que maçada. Já não basta  prescindir de uma sandes de courato em troca de um burek seco, ainda tenho de aturar este turista em terra alheia. Ele e a minha amiga entendem-se na perfeição. Riem e tudo. Ignoram-me até ao dia em que me convidam para ser madrinha do casamento.

Encontros improváveis, amores improváveis, sei lá. Claro que recusei. A minha presença em casamentos nunca será em estatuto inferior ao de uma noiva. E, caso me queiram encontrar, aconselho a procurarem-me no bar do Aeroporto Internacional de Tirana Madre Teresa. Passei a acreditar em milagres…

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03
Jan26

Jesus’ Blood Never Failed Me Yet...


ROMI

Gavin Bryars With Tom Waits - Jesus' Blood Never Failed Me Yet 

A voz frágil de um sem abrigo, a cantarolar uma frase de fé absoluta, sem acompanhamento, sem artifício. A gravação provém de fitas recolhidas durante um documentário sobre sem abrigo em Londres, nos anos 70, posteriormente cedidas a Gavin Bryars. Gavin Bryars limita-se a rodear essa voz com música lenta, repetitiva, quase imóvel, como quem constrói um abrigo em redor de algo infinitamente vulnerável. A repetição não cansa, aprofunda. Alguém continua a cantar apesar de despojado de tudo.
Esta versão de Jesus’ Blood Never Failed Me Yet inclui a participação de Tom Waits. A voz de Waits entra de forma contida, respeitosa, em segundo plano, como se não quisesse ocupar espaço. Quando a música ficou concluída, o sem abrigo já tinha falecido, sem que Gavin Bryars o tivesse conhecido pessoalmente.
Bryars conseguiu transformar um momento de solidão urbana num hino de dignidade.


02
Jan26

Manual de Transferência de Culpa...


ROMI

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Imagem Pinterest

2025 ficou para trás. Finalmente. Um ano que não repetiria. Gostava que 2026 me devolvesse o que o anterior me tirou. A minha gata, principalmente. A minha tolerância. Alguma empatia por situações pontuais que, vistas agora, não justificavam as reações drásticas que tomei. Um inventário de ausências.

O clássico “eu sou assim”. Não sou nada assim. Fui assim porque quis. Ou porque me deixei ser. Vá, 2026, traz-me serenidade e discernimento. Não posso continuar a fingir que não sei que somos seres plurais, contraditórios, mutáveis.

Em 2025 fiz o que quis e só por quem quis.  Ri menos, convivi menos, afastei-me demais em nome da minha estabilidade emocional. 

É confortável ter um bode expiatório, um ano inteiro para culpar.

E se 2026 falhar, já tenho o discurso ensaiado: vou bater à porta de 2027 e queixar-me deste antecessor incompetente que não me soube carregar.

 

 

 

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