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DESABAFOS

Razoavelmente insuportável…

Razoavelmente insuportável…

DESABAFOS

16
Jul24

O senhor "S"...


ROMI

Ele ficou com os meus lábios marcados na camisa da farda. Eu fiquei sem batom e sem pinga de sangue com o susto. Ninguém me avisou que tínhamos segurança novo. E ninguém avisou o segurança novo que eu me desloco durante a noite, quando faço serão, apenas com as luzes de presença do corredor. “Não há uma segunda oportunidade para causar uma primeira boa impressão”, e foi assim que fui parar à lista negra do Sr. S., o segurança "novo".

À primeira impressão,  parecia o King Kong. À segunda, também. Depois, passei a achá-lo parecido com o Índio do filme “Voando Sobre Um Ninho de Cucos”.

Tentei conquistá-lo. Passei a ligar as luzes. Perguntava-lhe sempre se queria café ou chá. Nunca quis. 

Só o vejo se fizer serão. Ele faz a ronda e pergunta se preciso de alguma coisa. Quando saio,  fecha-me a porta do escritório à chave, e eu digo-lhe sempre, o mais suavemente possível: “Até amanhã, Sr. S., muito obrigada por tudo e fique bem.” O Sr. S. grunhe qualquer coisa que eu traduzo como: “Não tem de quê, foi um prazer, boa noite para si também.” Mas, na verdade, o que ele diz é: “Desliza, não me chateies com lamechices a esta hora, que tenho mais que fazer. Vai pra casa...”

Depois,  acompanha-me ao táxi que chamo com bastante antecedência, só pelo prazer de saber que tenho alguém à minha espera...

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Qualquer semelhança entre este e o táxi que me aguarda, nem é  coincidência, é para lá de imaginação (mas faz de conta que não sabemos) ...

13
Jul24

Tardes de setembro...


ROMI

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Hipotético ou irreal,

como uma balada no conjuntivo…

Partiu-se em dois, o destino, como uma tarde de setembro.

Num silêncio de sepulcro, ergue-se sombrio o espanto.

Passaram negras as horas e negro é ausência sem cor.

Ecos tristes das memórias assombradas,

Na previsão que se inventa,

Anunciam que os fantasmas também têm sentimentos.

Com que desprezo me lembro que o tempo não para, nem abranda nas curvas.

Segue fluido, sem epígrafe, com um brilho estranho que não se vê.

Eu só queria contar as sílabas que contem um longo adeus.

Logo eu... que não sei sentir saudades.

 

10
Jul24

Deixei de fumar. Parece-me... (parte II)


ROMI

Meu Deus, vou ficar rica! Pensei. E, de imediato, me imaginei  vestida de amarelo, com um chapéu de abas largas da mesma cor, a desinquietar o senhor Ambrósio porque me apetecia tomar algo. 
Deixei de fumar. Pelo menos já não fumo há cinco meses. Jamais saberei se é para a vida toda. A última tentativa não correu muito bem. Desta vez, a musa inspiradora foi uma longa viagem de comboio. Não, não é no Expresso  Oriente. Para ficar a um preço suportável, teria de integrar um grupo de pelo menos cinco pessoas. Cruzes credo! Quem gosta de viajar sozinho percebe-me. É uma simples viagem de comboio pela Europa. Para quem fuma, viajar é sempre stressante, mesmo que as viagens sejam curtas. De avião a alternativa é escolher voos com escala e não cortar as unhas nos dois meses antecedentes. 
Viajar. Foi isso que me levou a deixar de fumar e, até agora, com sucesso. Tenho mais saudades dos meus momentos com o cigarro do que do cigarro em si. 
Não fiquei rica. Nem ganhei mais paladar, olfato, pele  luminosa, dentes mais brancos e outras coisas boas que disseram vir a adquirir. Acertaram nos quilos a mais, mas nada que me tire o sono.  
Os meus pensamentos ficaram mais pobres, passei a dedicar mais tempo à leitura.
Tenho saudades dos meus serões, horas a fio no escurinho da esplanada lá de casa, a olhar para a noite e a pensar. Divagar, ir para longe, à boleia, camuflada no fumo do cigarro, regressar fora de horas e ir dormir. 
Quase todas as semanas chegam livros, hoje chegaram mais dois. " Hotel Savoy", recomendado pela Isabel Silva. "Vi-os Morrer", para matar saudades de Sven Hassel. Falarei dele mais tarde, devo-lhe isso. 
 

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IMG_20240608_201203.jpg Pedro Mexia, rodeado de gulodices, outrora um maço de tabaco. Certamente... 

09
Jul24

Matthew McConaughey, Luz Verde...


ROMI

Gosto incondicionalmente deste ator. No filme "Clube de Dallas",  se ele saísse do ecrã e me dissesse "amo-te", a minha resposta seria "eu também". Foi um prazer descobri-lo como escritor. Estou numa fase em que os finais, tanto em livros como em filmes, não me surpreendem. Este livro veio na hora certa. É a vida dele, as reflexões dele, os erros dele... que me fazem ver ou refletir sobre os meus. Onde não arriscou e eu também devia. Enfim, levei alguns abanões, mas continuo de pé. Por muito que tivesse feito tudo ao contrário, o resultado seria o mesmo. E aqui estaria (estou) eu a falar da minha vidinha, camuflada no livro deste meu querido.  
 Quando gosto de um livro, tenho dificuldade em despedir-me. Faltam apenas 5 páginas. Mas vou adiar, hoje não é um bom dia para ler finais. Mesmo que felizes.

 

 

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Matthew McConaughey no filme "O Clube de Dallas"

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1- Club Dallas
2- Cliente de Risco
3- A Torre Negra
4- Ouro

 

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05
Jul24

Silêncio, estamos em Sintra ...


ROMI

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Sintra, à noite, transforma-se, ostenta um manto de mistério. Veste-se de gala e de respeito. O silêncio impera como um código secreto. Ninguém ousa falar alto. Sussurros e risos abafados são a norma, para não quebrar o encanto.

De todas as caminhadas noturnas em que participei, só em Sintra senti este efeito. Dentro da localidade, era-nos pedido que fizéssemos o mínimo barulho, para descanso dos residentes. No interior da serra, essa necessidade não existia, mas, por efeito coletivo ou não, todos murmuravam, ninguém falava alto.

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Sintra, à noite, não é um lugar, é uma sensação. É a simbiose perfeita de tudo o que representa, a harmonia mística, a magia das lendas e contos. Segredos escondidos em cada recanto.

Caminhar pela serra de Sintra, à noite, é como entrar num conto de fadas, cada sombra parece contar uma história, que nos embala, e não apetece sair. 

 

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Fotos do meu álbum "Caminhadas" com o grupo "Pegadas Noturnas".  As fotos não são da minha autoria. 

03
Jul24

"TUDO EM SINTRA É DIVINO, NÃO HÁ CANTINHO QUE NÃO SEJA UM POEMA”


ROMI

"TUDO EM SINTRA É DIVINO, NÃO HÁ CANTINHO QUE NÃO SEJA UM POEMA”

EÇA DE QUEIRÓS, OS MAIAS.

 

Acordar cedo. Sintra ali ao lado. Ainda adormecida, envolta na capa de neblina mística ou romântica, que se vai desvanecendo lentamente, mas só às vezes. 

E eu ali. Ninguém me viu e eu não vi ninguém.

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Fotos minhas

 

01
Jul24

Página rasgada...


ROMI

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29
Jun24

"A Breve Vida das Flores"...


ROMI

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A Antónia pode até ligar para discutirmos o preço do red fish do Pingo Doce, mas invariavelmente acabamos a falar de filmes e de livros, mais de livros. Disse que estava a ler "A Breve Vida das Flores", mas não recomendava porque sabia que não era o meu género. Fiquei a pensar: qual é o meu género? Não tenho um género definido, não gosto de livros de autoajuda e não leio certos autores que ela lê. Há livros que eu gosto e ela nem consegue passar da vigésima sétima página (Amor e Preconceito) e vice-versa. Mas dizer que determinado livro não é o meu género deixa-me com a pulga atrás da orelha. E lá comprei o livro. Tem quatrocentas e tal páginas. Digamos que o "devorei" até mais de meio. Vontade de ligar à Antónia, às três da manhã, a azucriná-la por não ter acertado no meu gosto literário. Mas depois começou a ficar penoso: personagens a mais, enredos a mais, diálogos fraquinhos. Enfim, cem páginas a mais. Fiquei irritada com a Valérie Perrin, com a 16ª edição, com todos os prémios que ganhou, com todas as críticas elogiosas que li a respeito. Pessoas cá do burgo, e com livros publicados, a dizerem que foi o livro da vida delas. Não houve ninguém que tivesse uma opinião menos favorável, como a minha. O livro até não é mau. Pronto, o livro é bom. Mas tem páginas a mais, enredos a mais e tornou o fim maçudo, que só consegui ler na diagonal. E isso é uma coisa que me irrita...

Agora estou a ler "O Mundo de Sofia". O bom disto tudo é que continuo com o hábito de combinar as lapiseiras com as capas dos livros, e estas quase se confundem. Sim, eu sou das que riscam  livros... 

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25
Jun24

"Vemo-nos em Agosto"...


ROMI

Já li  livros  suficientes de Gabriel Garcia Marquez para o considerar um amigo.   Não o reconheci em "Vemo-nos em Agosto". Possivelmente por faltar aquele toque deliciosamente desconcertante e ímpar com que costuma desarrumar as frases e me cativa. Talvez volte demasiadas vezes a "Cem Anos de Solidão" e busque um paralelo em todos os livros que leio dele, com o objetivo de matar saudades. Cheguei a duvidar que tivesse sido escrito por ele (às vezes tenho a mania que sou esperta), não reconheci a tal escrita inconfundível que é referida no prólogo do livro e em todas as críticas que li. Mas estou convencida, foi escrito por ele e só por isso vale a pena ler. 

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