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DESABAFOS

Gosto de viajar, ler, escrever, pintar, praia, sol, mar, café, gulodices. Não necessariamente por esta ordem, mas tudo no mesmo dia…

Gosto de viajar, ler, escrever, pintar, praia, sol, mar, café, gulodices. Não necessariamente por esta ordem, mas tudo no mesmo dia…

DESABAFOS

15
Ago22

AS ÁRVORES MORREM DE PÉ...


ROMI

IMG_20220815_014627.jpg  Monet, o pintor, apaixonou-se pela água. Disse que queria ser enterrado numa bóia, para poder flutuar por toda a eternidade. Montou um estúdio num barco.

Como se fosse um esforço recorrer à imaginação para pintar o cenário que pretendia, ele próprio criava esse cenário. Chegou a desviar um rio, para a sua propriedade, formando um lago, onde plantou nenúfares que originaram várias telas. 
Lembrei-me disto enquanto assistia, na televisão, ao incêndio na Serra da Estrela. Labaredas desvairadas de um lume que não aquece, gela-nos, petrifica-nos.
Eu, com os olhos no fogo, a sentir-me infeliz, fiz uma analogia a Monet. Imaginei  um pintor louco, sem capacidade de recorrer à imaginação, como se também ele tivesse criado aquele cenário de cinzas, fumo e fogo, e munido do seu cavalete, pintasse um céu imenso da cor do sangue, numa tela que ninguém quer protagonizar. 
José Alberto Carvalho, só nós dois. Falava só para mim. "As árvores morrem de pé." Repetiu. Rodeado de cinza e preto, orlado do vermelho da morte.  
As árvores morrem realmente de pé. Não caiem. Cair é a condição do que está vivo.   Tudo o mais, o que não morre de pé, simplesmente cede à força da gravidade e cumpre os desígnios: ao pó voltarás. 
Visivelmente comovido, José Alberto Carvalho, despede-se desolado, por um fogo que não se apaga com lágrimas. Por uma batalha que parece, mas não está ganha. O pintor louco, já mudou de rumo e foi criar cenários numa outra freguesia, provavelmente perto de si, de mim, de nós.
 
  

IMG_20220815_014925.jpg Eu volto à minha noite calma.  As expectativas em relação ao sono são completamente inexistentes. A noite é longa, mas há-de ter um fim. Este flagelo também...

 

13
Ago22

O MEU AMOR...


ROMI

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O meu amor 
tem patas de veludo
voz de cristal
e gosto requintado. 
O meu amor
não tem horas
nem amarras
voa livre como um pássaro
 e ocupa sem pudor
todo o meu coração...
12
Ago22

PORQUE HOJE É SEXTA...


ROMI

Em Viseu, todas as sextas feiras, ao jantar, comíamos bola. Era o único dia em que eu cozinhava. Mantive o hábito por uns tempos. Hoje senti uma certa nostalgia. Lurdinhas, Mimi, Jorge e Pedro, caso mantenham o hábito, estamos em sintonia...

Ken Follett, até pode ser boa companhia, mas não para mim. A AMEAÇA, está a revelar-se maçuda, ainda o caso não aconteceu e já se sabe o que vai acontecer (parece uma redundância , mas é a realidade). A Antónia adora Ken Follett, acho que  vai ter novo dono. Detesto deixar livros a meio, mas não tenho pachorra para este. Até porque hoje é sexta... 

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11
Ago22

UM ANJO CHAMADO AIDINHA...


ROMI

A minha Aidinha tem carta branca para fazer o que quiser em casa. Nunca deixo bilhetinhos para fazer isto ou aquilo. Ela é que sabe. E se alguém reclama é ela. Por vezes deixa-me sopa feita, assa uma carne porque já está há muito tempo no congelador, e ralha. Caso faça favas, na casa dela, traz-me sempre uma caixinha porque sabe que eu adoro. É uma querida. Mas ontem excedeu-se. Em tempos,em conversa,  tinha comentado que a minha avó fazia umas papas de carolo, eram servidas com leite frio e serviam de refeição.  Ontem, chego a casa e estranho a taça que me parecia ser de arroz doce, aletria, sei lá. A Aidinha não é dada a sobremesas. Eram as papas de carolo. Sabores de infância, reportou-me à casa da minha avó.

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As minhas colegas acham um luxo eu ter a Aidinha. Sou sozinha, casa fácil de limpar, não se justifica. E não. Mas elas não sabem, nem eu lhes digo, porque mantenho a Aidinha. Há uns anos, tive um problema de saúde e apesar de ter o apoio de amigos, não quis sobrecarregar ninguém com as lides domésticas e, temporariamente, veio a Aidinha.  Quando tive Alta, ela disse que estava feliz por isso, mas que faria diferença no fim do mês e não era fácil arranjar casas novas. E pronto, ficou. Já lá vão uns seis ou sete anos. E foi das coisinhas boas que aconteceram na minha vida. 
 
 
 
ps- isto é um desabafo e o meu blog chama-se DESABAFOS, certo?
 
10
Ago22

EM SEGUNDA MÃO...


ROMI

OS PARASITAS, DAPHANE DU MAURIER
 
Não faço ideia quantos livros tenho. Sei que tenho muitos, entre esta casa e a casa da aldeia. Sei, seguramente, que 30% dos livros que compro são em segunda mão.
Quando se compra um livro em 2ª mão, há que higieniza-lo primeiro. Adoro quando têm dedicatória, este tem dedicatória. Tem, no mínimo, 72 anos nas mãos de alguém. Maria, Dorothea, o livro está em boas mãos. Prometo ama-lo e respeita-lo até que a morte nos separe, já que sou incapaz de me desfazer de um livro. Tivesse eu capacidade de preservar outras coisas...
Daphane Du Maurier. Devo-lhe tanto. Adquire-se o gosto pela leitura quando gostamos dos primeiros livros que lemos. " Rebecca", desta escritora, foi um deles. Muito obrigada mesmo ...  
A edição é de 1949. Maria e Dorothea, serão vivas? Abraço-as também ...
 

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09
Ago22

MAU FEITIO....


ROMI

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Poderia dizer que ouço em surdina referirem-se a mim como tendo mau feitio. Mas não ouço em surdina, dizem-me diretamente e desde sempre. Quem? As minhas amigas. As que me convidam para jantares e festas, que me telefonam em primeira mão a dar qualquer notícia, boa ou má. As que sabem que podem contar comigo e eu conto com elas. É um rótulo que não me define, que não me orgulha, e que tento ignorar,  mas eu sei porque me está associado.  Todos nós criamos uma imagem dos outros que é feita à nossa semelhança. Depois surgem as decepções. Cada pessoa é única, por muitos que sejam os pontos em comum.  E eu lido muito mal com decepções. 

Deparo-me com este trecho do diário de Anne Frank e sei lá, revejo-me. 
 
(…) "E apesar de rir e fingir que não me importo, eu me importo sim. Tem dias que gostaria de ser diferente, mas isso é impossível. Estou presa ao caráter com qual o nasci, e mesmo assim tenho certeza de que não sou má pessoa. Faço o máximo para agradar a todos, muito mais do que eles suspeitariam ..." O Diário de Anne Frank
08
Ago22

EM PASSO PLANEADO...


ROMI

Apertei os sapatos em ritmo de Adeus.
Parto em passo planado, com o sol em poente, reivindico uma gaivota triste como complemento de paisagem.
Só depois me afasto, sem carácter de urgência.
Vestida de preto, com salpicos de silêncio e um apontamento a designar,
levo nas mãos acenos gastos à força de tanto serem usados. Remeto-as à inercia!
Pela primeira vez não olho para trás num gesto póstumo.
Há "nós" e laços, há agora um projecto de consciência em ruína.
Atirei, como uma noiva, um ramo de crisântemos.
Lamento imenso se alguém o apanhou... 

"Ele foi sempre um mar de inverno, ela quis ser uma gaivota
de verão."

IMG_20191208_082336.jpg Foto by me

     

05
Ago22

FOTOGRAFIAS "POST MORTEM"...


ROMI

 

Fotografar pessoas depois de mortas e colocá-las em poses como se estivessem vivas, poderá parecer uma ideia excêntrica, contudo há que ter em conta que a morte é vista de várias formas em diferentes épocas. O morto inspira sentimentos diferentes em tempos e culturas diferentes.
Tudo começou quando a Rainha Victoria (Inglaterra) pediu para fotografarem um cadáver... a partir daí as famílias passaram a fazer a mesma coisa, guardando para si uma mórbida recordação do ente querido.
Durante o século XIX era muito comum.
Pode parecer mórbido hoje, mas naquele tempo era um costume natural. Os álbuns dos mortos eram uma espécie de negação da morte ao mesmo tempo que se tornavam coisas guardadas, pela família, para lembrar os que partiram. A fotografia em si funcionava como última homenagem aos falecidos. Eram criados verdadeiros cenários elaborados com composições muitas vezes complexas de estúdio para fazer os álbuns dos mortos. Depois de instalado o rigor mortis, era necessário inventar situações complicadas para a foto ficar natural. Isso envolvia colocar calços sob as cadeiras e inclinar a maquina para que a cena ajustasse a posição fixa do cadáver.
O importante era parecer que as pessoas estivessem vivas ou a dormir.
 

  

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A SENHORA É A FALECIDA.

 

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A FALECIDA É A SENHORA DO MEIO.

 

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TODAS FALECIDAS. A QUE ESTÁ DE COSTAS TEM A CARA DESFIGURADA.

 

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A FALECIDA É A QUE ESTÁ EM PÉ. 

 

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FALECIDA.

Muitas mais fotos poderia por. Na altura havia muita mortalidade infantil. Recuso-me a por fotos de crianças.

FONTES: "OBSERVADOR", "VISÃO", "GOOGLE".

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
03
Ago22

La Solitude ...


ROMI

."Gosto, como os animais, das florestas e dos mares, de me perder durante um tempo, permanecer a sonhar num recanto encantador, e forçar-me a regressar de longe ao meu lar. Atrair-me a mim próprio, ... voltar para mim."  Friedrich Nietzsch

 

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