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DESABAFOS

Razoavelmente insuportável…

Razoavelmente insuportável…

DESABAFOS

29
Out21

GRITOS VELADOS...


ROMI

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Dispo a túnica de linho branco, sinto salpicos de mar matematicamente inoportunos. Divido-me em capítulos, reservo um para ti que conservo em câmara lenta. Gesto de quem alucina porque o normal já não me basta. 
Numa linguagem própria de quem sabe que chega para além de um prazo razoavelmente traduzível, mergulho nas ondas imprevistas e num gesto de estátua que não sabe morrer, salvo a palavra que caiu no vácuo sem promessa. Mas já era tarde! 
Velam-se os gritos que estão vivos porque respiram. Agora tenho todo o tempo do mundo para inventar vírgulas que sepulto na região demarcada do verbo amar. Há que ter em conta que tudo pode ser em vão. Assim sendo acendo um cigarro e incendeio a saudade. 

Os distúrbios das letras intelectuais circundantes… 

Nem eu sei porque sou assim!

Imagen Pinterest

27
Out21

MEMÓRIAS : EXCENTRICIDADES DA MINHA MADRASTA


ROMI

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(...) Uma vez, para substituir o meu pai, que devido a compromissos não pode estar comigo na habitual quinta feira, a minha madrasta levou-me à praia. Vamos ver o mar, podia ter dito, mas não disse. Conduziu-me ao carro, pos música que fez questão de acompanhar, trauteando desafinada. Parou numa praia deserta. Correu para o mar, numa coreografia estranha, desencontrada de algo que queria ser uma canção e não passavam de guinchos histéricos. Mas ela estava feliz. Eu, num misto de estupefacta e assustada, assistia estática, mas com uma vontade enorme de a imitar. Claro que não me atrevi. Era louca o suficiente para me atirar ao mar. Ou, quiçá, para bailar comigo, aquela dança frenética que só os seres livres se atrevem a executar. Naquele momento admirei  imenso aquela mulher. Acho, até, que senti inveja. Mas quando fosse grande não queria ser como ela. Dava medo ser como ela. Só pessoas como ela conseguiam ser como ela e ela era única.

No instante seguinte, estava de joelhos e de braços abertos, a receber as ondas do mar que a encharcavam, num vai vem continuo e ela já não gritava. Devia estar de olhos fechados, cabeça atirada para trás, talvez à espera que uma onda a levasse. Como não levou, levanta-se e encara-me, como se fosse eu o bicho raro. Encharcada, ela, rumámos a casa. Desta feita em silencio, como se meditasse.

Dei por mim a desejar que aquele dia se repetisse. Como que para confirmar se aquilo era um ritual ou foi um acto espontaneo. E um dia pedi-lhe que me levasse ao mar. Como resposta, passa-me um buzio, enorme, para a mão e pede que o encoste ao ouvido e que ouviria o mar. No entender dela era a mesma coisa. Ainda hoje conservo o búzio. Em noites de insónia, ou quando tenho saudades do mar, encosto-o ao ouvido e ou adormeço ou parece que estou no mar. É quase a mesma coisa, tento convencer-me. É a memória mais bonita que guardo da minha madrasta.

26
Out21

MOMENTOS MEUS ...


ROMI

 

A Luna, dormita a meus pés. Talvez embalada pelo barulho da máquina de lavar loiça. Talvez ela também se consiga abstrair e imaginar que é o som do mar.

Eu, a ouvir o mesmo mar da Luna. Numa claridade submersa. Não suporto luzes fortes.

Bebo o café, sempre escaldado, após o jantar. Não há música. Só eu a Luna e o “mar”.

E penso: era mesmo neste momento que eu queria estar...

25
Out21

ESCAPADINHA A PONTA DELGADA, AÇORES...


ROMI

O meu roteiro

 

Lagoa das 7 Cidades, Lagoa do Fogo, lagoa do Congro, Praia d´Agua Dálto, ir ver a praia e Temas da Ferraria, visitar a vila de Mosteiros, ir a Nordeste (que é na outra ponta da Ilha), Terra Nostra e Povoação. Comer as massarocas cozidas nas Furnas e assistir à recolha do cozido, por volta das dez da manhã. Comer queijo fresco com pimenta da terra. Nas furnas ir visitar e tomar banho na poça da Beija, Ir visitar e tomar banho na Caldeira Velha. Visitar o parque da Macela, tem animais. É Lindo. No Nordeste e Povoação tb os há lindos, e aí ir visitar a Ponta da Madrugada que é belíssimo e tem flores lindas com vista esplêndida sobre o mar. Fazer a Rota dos chás, (Gorreana), faz-se prova dos chás que quisermos e é grátis. Deu jantei maioritariamente no Cais 20, a 10 minutos de Ponta Delgada, Tem várias salas independentes, na do topo vê-se o mar. Para petiscar e provar as iguarias dos Açores a Tasca, fica em Ponta Delgada, perto da igreja principal e das portas da cidade. CUIDADO COM O NEVOEIRO, é muito matreiro.

24
Out21

A DONA DISTO TUDO ... LUNA


ROMI

 

22
Out21

SÓ, E BEM ACOMPANHADA...


ROMI

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Decididamente sou uma mulher de vícios, O café vicia, o cigarro vicia e fazem parte dos meus vícios. Mas não são os únicos. O preto e o branco viciam, são as únicas cores que realmente gosto e visto. Mas o meu maior vício é a solidão. A solidão é deveras viciante e quem vive nela tem dificuldade na abstinência. A minha solidão é viajar sozinha, estar comigo e para mim, tendo a noção que somos seres plurais. É uma liberdade incondicional. É fazer o que me faz feliz, sem restrições, imposições, com o único objectivo de me agradar a mim. " Ninguém é feliz sozinho", frases feitas que os dependentes de terceiros usam com um misto de arrogância e compaixão. Não percebem que a felicidade está muito mal entregue quando projectada nos outros. Quando o outro parte sofrem horrores porque não sabem estar sozinhos, não concebem, sequer, a hipótese de solidão. Não a querem experimentar, não sabem que é viciante, porque evitam a qualquer custo ficar sós. Ser sozinho não significa necessariamente ser solitário, insociável. introvertido e outros adjectivos que caracterizam um eremita. Ser sozinho é ter uma porta que nos transporta para o lado de lá, simplesmente, esse lado é lá que fica, quando a  trancamos do lado de cá.  

22
Out21

GOSTOS NO DESGOSTO...


ROMI

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Decididamente gosto de visitar cemitérios. Há quem goste de visitar museus, a tia, a prima, a vizinha do lado…, sei lá! Eu gosto de visitar cemitérios. Uma forma, como outra qualquer, de me projectar no futuro. Claro que esta afirmação provoca manifestas reacções de desconfiança e desconforto. Nem me atrevo a dizer que também gosto de velórios, funerais e missas de sétimo dia. Que mórbida sou! 

Em Paris, o cemitério Père-Lachaise é uma atracção turística, é carinhosamente conhecido “La Cité des morts “.Inúmeras grandes figuras têm ali o seu lugar de repouso, incluindo Chopin, Proust, Oscar Wilde, etc.. Em Portugal temos cemitérios que também são visitados sob esse aspecto. O cemitério dos Prazeres, com tantas obras de arte, trata-se de um ponto turístico, ainda que a uma escala menor. O cemitério do Bonfim, Lápides dos séculos XVIII e XIX, em estilos neo-renascentista e gótico! Enfim, muitos cemitérios, muita história, muita cultura. 

Mas gosto de cemitérios noutra dimensão. Mais acolhedores, cemitérios anónimos, das aldeias ou pequenas cidades. É um ambiente impressionante, calmo, ao ar livre, pesadamente silencioso, mas o silêncio não me incomoda. Por mais humildes que sejam todos possuem um ar imponente, uma arte mórbida. Há cemitérios em que não me apetece sair de lá (salvo seja!)! 

Depois há as histórias deliciosas, como a do Sr. António, cuja esposa faleceu há oito anos e ainda hoje põe o prato na mesa para ela. Visita-a todos os dias e leva-lhe uma flor. Quando vai a casa da filha, em Lisboa, na impossibilidade de a visitar, quando regressa entra e sai do cemitério tantas vezes quanto os dias que esteve ausente e oferece-lhe o mesmo número de flores. Deduzo que tenha sido um marido ausente, mas nunca é tarde para manifestar amor. É a isto que eu chamo saudade… uma saudade que dói! Há quem lhe chame demência. 

Fascina-me a leitura das inscrições nas lápides. Todas tentam ser originais, mas não conseguem, a eterna saudade é ponto comum. Ainda aguardo uma em que alguém dê uma descasca no falecido. 

Não tenho o hábito de fotografar cemitérios, considero, não uma falta de respeito pelos mortos, mas uma intromissão na sua intimidade. A imagem que seleccionei, para ilustrar este post, traduz a hora magnifica, em que gosto de olhar, através do portão, para os que partiram. Aquelas luzinhas são, na verdadeira acepção da palavra, do outro mundo… 

Que descansem em paz! Nós ainda temos essa parte, maçadora, para cumprir …

18
Out21

NÃO TENHO MEDO DO ESCURO ...


ROMI

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A hospedeira insistia para que eu pusesse a mala de mão debaixo do assento. Eu acenava que sim, mas continuava com ela no colo. Nem sequer era para a contrariar, nem eu conseguia perceber por que raio não lhe obedecia. Qualquer entendido justificaria com o facto de ser a primeira vez que andava de avião e os tais nervos, que servem de desculpa para tudo, seriam a desculpa. Mas não me sentia minimamente nervosa, nem eufórica, nem nada. Estava ali, tranquila, agarrada à minha malinha, enquanto ela, a hospedeira, numa ginástica maluca, explicava as medidas de segurança a adotar. Felizmente não foi preciso pô-las em prática, porque eu não tinha percebido nada daquela sinalética. 

Aeroporto Vincenzo Bellini Catania-Fontanarossa. Mais conhecido como Aeroporto di Fontanarossa. Dada a proximidade com o vulcão Etna, havia a possibilidade de haver alterações na rota, devido às cinzas vulcânicas, caso se encontre em erupção. Estava calmo e tranquilo, como eu. 
Apanhei um autocarro (Alibus) para Catânia, a viagem foi rápida e bonita. A minha malinha sempre no meu colo, como convém. E eu agarrada a ela. A   apertá-la com força, a mão quase dormente, uma dor desconfortável no braço, mas não conseguia aliviar a pressão. Não estava nervosa, não me sentia nervosa. 
Em miúda, sempre que dormia com o meu ursinho, não tinha medo do escuro. A minha mala, uma espécie de urso, catalisadora da minha energia, proporcionando o equilíbrio, sugando a insegurança de quem viaja sozinha e anda de avião pela primeira vez. Percebi que um simples objecto pode dar-nos a mão.  Nessa noite, também não tive medo do escuro. 
Passei a viajar sozinha, por não ter medo do escuro... 
18
Out21

FEIRA DO LIVRO


ROMI

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Edvard Munch e Van Gogh, comprei numa livraria de rua. Com intenção de voltar para comprar mais um ou dois livros e assim, aos poucos, ir fazendo a coleção de pintores que gosto. Resultado, na feira do livro, comprei os restantes e mais três romances, de escritores que amo, e paguei menos por estes livros todos do que pelos dois iniciais. É nestas alturas que me sinto uma sortuda... 

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