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DESABAFOS

Razoavelmente insuportável…

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DESABAFOS

22
Out21

GOSTOS NO DESGOSTO...


ROMI

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Decididamente gosto de visitar cemitérios. Há quem goste de visitar museus, a tia, a prima, a vizinha do lado…, sei lá! Eu gosto de visitar cemitérios. Uma forma, como outra qualquer, de me projectar no futuro. Claro que esta afirmação provoca manifestas reacções de desconfiança e desconforto. Nem me atrevo a dizer que também gosto de velórios, funerais e missas de sétimo dia. Que mórbida sou! 

Em Paris, o cemitério Père-Lachaise é uma atracção turística, é carinhosamente conhecido “La Cité des morts “.Inúmeras grandes figuras têm ali o seu lugar de repouso, incluindo Chopin, Proust, Oscar Wilde, etc.. Em Portugal temos cemitérios que também são visitados sob esse aspecto. O cemitério dos Prazeres, com tantas obras de arte, trata-se de um ponto turístico, ainda que a uma escala menor. O cemitério do Bonfim, Lápides dos séculos XVIII e XIX, em estilos neo-renascentista e gótico! Enfim, muitos cemitérios, muita história, muita cultura. 

Mas gosto de cemitérios noutra dimensão. Mais acolhedores, cemitérios anónimos, das aldeias ou pequenas cidades. É um ambiente impressionante, calmo, ao ar livre, pesadamente silencioso, mas o silêncio não me incomoda. Por mais humildes que sejam todos possuem um ar imponente, uma arte mórbida. Há cemitérios em que não me apetece sair de lá (salvo seja!)! 

Depois há as histórias deliciosas, como a do Sr. António, cuja esposa faleceu há oito anos e ainda hoje põe o prato na mesa para ela. Visita-a todos os dias e leva-lhe uma flor. Quando vai a casa da filha, em Lisboa, na impossibilidade de a visitar, quando regressa entra e sai do cemitério tantas vezes quanto os dias que esteve ausente e oferece-lhe o mesmo número de flores. Deduzo que tenha sido um marido ausente, mas nunca é tarde para manifestar amor. É a isto que eu chamo saudade… uma saudade que dói! Há quem lhe chame demência. 

Fascina-me a leitura das inscrições nas lápides. Todas tentam ser originais, mas não conseguem, a eterna saudade é ponto comum. Ainda aguardo uma em que alguém dê uma descasca no falecido. 

Não tenho o hábito de fotografar cemitérios, considero, não uma falta de respeito pelos mortos, mas uma intromissão na sua intimidade. A imagem que seleccionei, para ilustrar este post, traduz a hora magnifica, em que gosto de olhar, através do portão, para os que partiram. Aquelas luzinhas são, na verdadeira acepção da palavra, do outro mundo… 

Que descansem em paz! Nós ainda temos essa parte, maçadora, para cumprir …

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