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DESABAFOS

Razoavelmente insuportável…

Razoavelmente insuportável…

DESABAFOS

14
Nov22

NÓMADA...


ROMI

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Ressuscitar é inverter as leis do silêncio. Detesto os que ressuscitam. Não que seja fácil ressuscitar, pela quase obrigação moral de explicar o motivo que  levou ao falecimento.  Eu, morri só porque sim. Apeteceu-me, foi um ar que me faltou.

Foram depositadas flores (comentários) e passagens silenciosas para confirmar se eram cuidadas. Não foram criadas condições para descansar em paz. E aqui estou eu, na qualidade de fantasma lamechas, para agradecer todas as flores, todas as pegadas, negligenciando a homenagem póstuma. 
Que sensação estranha, sinto que já não pertenço aqui. Nem me sinto a filha pródiga. Sinto-me um paraquedista a aterrar em chão alheio. Olho para estes "Desabafos" como se não fossem meus. E este que não é, sinto-o como se fosse. Mas é do Vinicius. 
 

Soneto de separação

"De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.

De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.

De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.

Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente."

Vinicius de Moraes 
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