O lugar onde pertenço...
ROMI

Após alguma insistência, fomos todos tomar café a casa da LF. Não foi necessário descalçarmo-nos à entrada. Grata.
Uma casa antiga, com um corredor quase infinito. Uma música, em gritos, que queria a todo o custo ganhar espaço, esgueirar-se por uma janela, por uma porta… sei lá. Era urgente sair dali. E eu com ela. Não havia espaço para nós as duas: eu e a música. Aquela música em desespero.
A LF a anunciar a chegada com um “Cheguei!”, tão estridente como tudo o resto. Mais vozes elevadas, sobrepostas, na conversa que se seguiu. Ninguém pareceu estranhar nada: um sorriso empático de todos para com a família barulhenta.
Eu gosto de entrar numa casa silenciosa. Em penumbra. Ficar assim por instantes, sem fazer nada. Gosto de um café bem quente na esplanada lá de casa, bebido devagar, como se o tempo tivesse abrandado só para mim.
Depois, sem pressa, desfazer-me: tirar o casaco, os sapatos. É aí que me dou conta de como sou feliz. Pela dádiva do silêncio, do espaço quieto, de não ter de anunciar que cheguei. É no sossego, nesta monotonia, que reencontro o lugar onde pertenço.
