Manual de Transferência de Culpa...
ROMI

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2025 ficou para trás. Finalmente. Um ano que não repetiria. Gostava que 2026 me devolvesse o que o anterior me tirou. A minha gata, principalmente. A minha tolerância. Alguma empatia por situações pontuais que, vistas agora, não justificavam as reações drásticas que tomei. Um inventário de ausências.
O clássico “eu sou assim”. Não sou nada assim. Fui assim porque quis. Ou porque me deixei ser. Vá, 2026, traz-me serenidade e discernimento. Não posso continuar a fingir que não sei que somos seres plurais, contraditórios, mutáveis.
Em 2025 fiz o que quis e só por quem quis. Ri menos, convivi menos, afastei-me demais em nome da minha estabilidade emocional.
É confortável ter um bode expiatório, um ano inteiro para culpar.
E se 2026 falhar, já tenho o discurso ensaiado: vou bater à porta de 2027 e queixar-me deste antecessor incompetente que não me soube carregar.
