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DESABAFOS

Razoavelmente insuportável…

Razoavelmente insuportável…

DESABAFOS

21
Dez25

Acústica Imperfeita


ROMI

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A sinfonia áspera dos atritos, o ranger das engrenagens enferrujadas da alma, a acústica imperfeita, o lamento, quebram o silêncio. Curvo-me como uma vírgula e apanho os cacos.  A fricção constante de todas as arestas que a ausência de ruído já não pode limar ou suavizar. Suspendo-me na textura emocional do silêncio fragmentado, repartido num puzzle imperfeito.

Morreu o silêncio, este.

E é por essa possibilidade perdida que a mágoa cai, pesada e única, na madeira crua do novo ruído que agora me habita. A perda da quietude interior. Desespero assumido.

Chore-se, então. Desalmadamente. No descanso sem paz. No adeus sem lenço branco. Velório, funeral e missa do sétimo dia. Cuidarei de manter vivas as flores na campa do silêncio improvisado.

 

26
Set25

Reflexo da ausência ...


ROMI

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Hoje, um avião sobrevoou a casa com um barulho ensurdecedor.
Corri, instintivamente, para a minha gata. Queria protegê-la, como sempre, do medo que os ruídos lhe traziam. Mas ela não estava.
 

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Não abriu os telejornais.
Não foi notícia de primeira página
Nem mereceu um canto discreto na capa dos jornais.
Ninguém soube.
Ninguém se importou.
Como se fosse coisa pouca.
E eu, destroçada, sem ela para me consolar.
A morte, impiedosa, resgatou-ma.
E eu, impotente, limitei-me a vê-la partir
em forma de alma gentil ...
ficando eu cá na terra sempre triste...
 
Esbarro na sua ausência.
Apesar de a sentir pela casa toda.
Tinha o dom de preencher silêncios.
De se enroscar nas minhas rotinas.
Onde arrumo isto que sinto?
Como me dispo desta saudade, imensa, sem retorno?
Como se faz? Eu não sei.
01
Set25

O Lado Vazio...


ROMI

 

villa gallé.jpeg

 

Num ambiente de ruído branco,
entro no sono
com a destreza de quem domina
o presente do indicativo do verbo sonhar.

Apagaram-se as estrelas.
Fechou-se uma porta.

Quero voltar a acordar.
Não sei se sei!
Dormir é como morrer,
com a capacidade de ressuscitar.
Fui ressuscitando aos bocadinhos.

Uma mão segurava a minha.
Não era a tua...
...não ainda!

 

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