Por Carla...
ROMI
A minha mão sobre a da Carla. Eu e a Carla não éramos as melhores amigas. Por culpa minha, não é fácil ser minha amiga. Só estávamos juntas nos jantares de grupo. Num desses jantares, recebemos pulseiras iguais, daí a fotografia.
A Carla faleceu precocemente. Temos várias fotos juntas, mas esta simboliza as vezes em que lhe podia ter dado a mão e só o fiz num momento fútil. As mãos tocam-se, mas o que verdadeiramente as une são os objetos, não o gesto.
Nunca fui fácil de acompanhar ou de decifrar, e isso afastou-me do essencial, como dar a mão no momento certo. Vivo bem com isso. O mundo transborda de boas pessoas e conforta-me saber que não faço mal a ninguém. Gosto das pessoas na ausência, canso-me delas na presença. Não é frieza, é defesa. Talvez gostar à distância seja a minha forma imperfeita de amar.
