Uma questão de estatuto...
ROMI

Tirana International Airport Nënë Tereza (TIA)
Um dos bares do aeroporto “não sei das quantas”. Uma fila enorme. Nunca hei-de perceber porque é que as pessoas não levam farnel no avião, já que a comida que lhes é servida a bordo não as satisfaz. Depois, quem só quer uma simples garrafinha de água, um singelo café, sofre horrores à espera de ser atendido e, claro, quando chega a vez, já sente a fome a transmutar-se numa irritabilidade gratuita, daquelas que nos deixam o humor num estado de alerta vermelho.
Alguém me chama a atenção para algo. Cá conversas, digo logo, em inglês, messóri não sepico inglis. A minha amiga, perdida de riso, diz que o senhor me está a falar em português. Pronto, tinha de ser. Se estou em Portugal, ninguém fala comigo, nem para perguntar as horas. Põe-se um pé em ramo verde e aparece logo um compatriota, feliz e contente por ouvir falar o nosso vernáculo. Que maçada. Já não basta prescindir de uma sandes de courato em troca de um burek seco, ainda tenho de aturar este turista em terra alheia. Ele e a minha amiga entendem-se na perfeição. Riem e tudo. Ignoram-me até ao dia em que me convidam para ser madrinha do casamento.
Encontros improváveis, amores improváveis, sei lá. Claro que recusei. A minha presença em casamentos nunca será em estatuto inferior ao de uma noiva. E, caso me queiram encontrar, aconselho a procurarem-me no bar do Aeroporto Internacional de Tirana Madre Teresa. Passei a acreditar em milagres…







