21
Mar25
O sopro (anónimo) das palavras...
ROMI
Porque hoje é o Dia Mundial da Poesia, deixo o meu apreço a tantos poetas anónimos, com obras de excelência não assinada. Os poetas anónimos oferecem ao mundo beleza sem exigir reconhecimento, e isso é, por si só, de uma nobreza ímpar.
Numa espécie de tertúlia, Odair recitou este poema, que não é dele. Nem sabe de quem é. Mas ofereceu-mo. Acho-o lindo. Queria ter sido eu a escrevê-lo. Na impossibilidade, resta-me agradecer ao Odair e, num gesto altruísta, oferecê-lo também a quem dele gostar.

Sopro das palavras
"Sabes, às vezes sinto que sou feita de vento.
Que sou só um sopro, uma promessa que nunca se cumpriu.
Caminho por estas ruas e ninguém me vê.
Sou um nome que não ficou na boca de ninguém,
um rosto que o tempo já começou a apagar.
Mas eu existo... não existo?
Se fechar os olhos agora, desapareço?
Ou sou como a poeira, que dança sem que ninguém repare?
Ah... como queria ser lembrança, ser história contada ao pé do fogo...
Mas talvez eu seja só isso:
um instante que passou e ninguém guardou"
Autor desconhecido.
Imagem: gaivotas são como palavras sopradas ao vento.
