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DESABAFOS

Razoavelmente insuportável…

Razoavelmente insuportável…

DESABAFOS

16
Mar26

Títulos em Poema...


ROMI

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Ao olhar para os títulos dos livros, percebi que deles podia nascer um poema.

 

Naquele Dia, tudo mudou.

Escondidos nos Armários Da Noite,

Os Parasitas observavam A Farsa.

A Tempestade, lá fora… 

escondia Todos Os Nomes. 

A Sombra Do Vento soprava 

num Secreto Adeus,

em Terra Sonâmbula,

onde As Velas Ardem Até Ao Fim.

Vemo-nos Em Agosto, disseste tu,

Coração Sem Abrigo. 

Crime e Castigo.

Fiquei Só!

Cem Anos de Solidão.

 

Uma Mulher Não Chora.

As Coisas que Faltam estão 

em Todas As Palavra

soletradas, Antes Que o Café Arrefeça.

Gente Feliz Com Lágrimas.

Tempo de Esperança.

Luz Verde no Cio Das Manhãs.

O Teu Rosto Será O Último.

Depois, apenas a Raridade Das Coisas Banais.

Foi Quase…e às vezes o quase é tudo.

Tudo É Tabu

Uma Vez Que Tudo Se Perdeu.

 

Nota: Todos os títulos presentes neste “poema” são livros reais. A lista de autores está incluída para que possam descobrir as histórias que inspiraram este “poema”:

Naquele Dia   Laura Alcoba

Armários Da Noite   Alice Vieira 

Os Parasitas   Daphne du Maurier

A Farsa   Raúl Brandão

A Tempestade   Ferreira de Castro

Todos Os Nomes   José Saramago 

A Sombra do Vento   Carlos Ruiz Zafón

Secreto Adeus   Baptista-Bastos.

Terra Sonâmbula   Mia Couto

As Velas Ardem Até ao Fim   Sándor Márai

Vemo-nos em Agosto    Gabriel García Márquez

Coração sem Abrigo   José Jorge Letria

Crime e Castigo   Fiódor Dostoiévski

   António Nobre

Uma Mulher Não Chora    Rita Ferro Rodrigues

As Coisas que Faltam   Rita da Nova

Todas as Palavras    António Pina

Antes Que o Café Arrefeça    Toshikazu Kawaguchi

Gente Feliz com Lágrimas   João de Melo

Tempo de Esperança    Helena Sacadura Cabral

Luz Verde   Matthew McConaughey

Cio das Manhãs   António Garcia Barreto

O Teu Rosto Será o Último   João Ricardo Pedro

Cem Anos de Solidão   Gabriel García Márquez

Depois   João Afonso Machado

A Raridade das Coisas Banais   Pedro Chagas Freitas

Foi Quase   João Afonso Machado

Tudo é  Tabu   Pedro Correia

Uma Vez Que Tudo Se Perdeu   Pedro Mexia.

 

 

 

13
Mar26

"O Que Diz a Alma"


ROMI

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"O Que Diz a Alma", Henrique Feliciano

 

O Henrique, meu colega de curso, contou-me que tinha um livro publicado.
"Trata-se de uma juvenília poética (tudo elaborado enquanto jovem adolescente), de forma a superar os desafios da TAG", disse-me, quase a justificar-se, talvez com receio de que eu não gostasse. Mas gostei, e muito. Pode ter sido escrito na adolescência, mas revela muita maturidade.
Alguns poemas transportaram-me para Charles Bukowski, eu gosto de Charles Bukowski. Houve poemas que eu própria gostaria de ter escrito. O Henrique é intelectualmente muito bem formado, e admiro essa particularidade.
Parabéns, meu amigo, pelo livro, pela pessoa gentil que és e por saberes escrever assim.
12
Mar26

O Lobo, a Hermine e o Detergente...


ROMI

Não é o momento certo para escrever seja o que for, quando a minha mente está ocupada a fazer-me lembrar que tenho de comprar detergente para a roupa. Por outro lado, há um desejo incontrolável de falar de O Lobo das Estepes, recém tirado da pilha dos livros já lidos, antes de o arrumar na estante.

 

 

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Terminei O Lobo das Estepes, de Hermann Hesse, com alguma surpresa. Sendo Siddhartha um dos meus livros preferidos, esperava encontrar aqui o mesmo autor que, de alguma forma subtil, reconheci em todos os livros que li dele. No entanto, em várias fases da leitura, fugiu-me completamente. Não reconheci o Hesse que admiro. Talvez tenha sido, acima de tudo, uma questão de expectativa.
O livro começa bem, mas perde força quando surge Hermine. Os diálogos entre os dois parecem ocos e pouco convincentes, tornando a leitura cansativa. Quando a história desaba no Teatro Mágico, em vez do impacto  que esperava, senti apenas um distanciamento ainda maior, que tornou difícil manter o interesse até ao fim.
Reconheço a reputação e a importância desta obra, mas, enquanto experiência de leitura, não me conquistou. Se este tivesse sido o primeiro livro que li de Hermann Hesse, muito provavelmente não teria procurado mais nenhum. Felizmente não foi o caso, porque Siddhartha continua no topo dos meus livros preferidos.
Muito mais haveria a dizer, mas não temos tempo. Tenho todo um detergente da roupa para comprar. Não sei se já tinha dito…

21
Fev26

O Renascimento Digital da Biblioteca Joanina. Um presente de Sharjah para o Mundo...


ROMI

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Através do canal “Conta Lá”, posição 123 da NOS, tomei conhecimento da iniciativa do Xeque Dr. Sultan bin Muhammad Al Qasimi, Emir de Sharjah e historiador, que visa a preservação e divulgação do património bibliográfico da Biblioteca Joanina da Universidade de Coimbra.

O Xeque defende que o estudo da presença portuguesa no Golfo Arábico é essencial para compreender a identidade da sua região, considerando a história um fator de união entre povos. É autor de várias obras sobre a expansão portuguesa no Oriente e sublinha a ligação histórica entre Portugal e o mundo árabe.

Com esse propósito, financiou com 8 milhões de euros a digitalização de cerca de 20 milhões de páginas do espólio da Biblioteca Joanina. O projeto teve início em 2024 e prolongar-se-á até 2030, com o objetivo de democratizar o acesso ao conhecimento e facilitar a investigação à escala global.

Parte do acervo já se encontra acessível ao público através da plataforma UC Digitalis, na secção Joanina Digital, permitindo a consulta de obras raras à distância:  Item Joanina Digital.

A ligação entre o Emir de Sharjah e a Universidade de Coimbra consolidou-se em 2018, com a atribuição do grau de Doutor Honoris Causa. Em outubro de 2025, o Xeque regressou a Coimbra para inaugurar o primeiro Centro de Estudos Árabes em Portugal e doar à Biblioteca Joanina o manuscrito original de Duarte Barbosa, datado de 1565, que havia estado desaparecido durante mais de um século.

Recorri a várias fontes para compreender melhor esta história e este é o resumo possível. Havia muito mais para explorar, mas já é fascinante ver como o conhecimento pode atravessar culturas e séculos, unindo pessoas e histórias. Queria deixar claro que a maior parte de vocês possivelmente já sabia disto. Fica aqui o registo para quem ainda não tinha conhecimento e, tal como eu, gosta de descobrir e aprender sobre estes temas.

 

 

29
Jan26

Dia de visitas...


ROMI

 

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Chegaram.

Receber livros novos tem, para mim, o mesmo efeito que a visita de alguém de quem sinto muitas saudades. A Poesia Reunida, de Maria do Rosário Pedreira, veio com prefácio de Pedro Mexia. É uma alegria redobrada, como se um amigo trouxesse outro.

Os Armários da Noite, de Alice Vieira. Uma escrita que nos arruma por dentro, mesmo quando fala das sombras ou dos armários que todos transportamos. Ah, se eu soubesse escrever assim…

27
Jan26

Plano B...


ROMI

A minha consciência é uma simpatia. Ao sentir-me apreensiva por se adivinhar uma madrugada com vento em excesso de velocidade, pergunta-me, muito solícita:

O que te fazia feliz?

Uma viagem, respondo eu.

Burrraaaa, deve ter dito para com os seus botões, se é que a consciência tem botões. A minha deve ter.

Vento e tal… não queres pensar melhor?

Ok, plano B. Livros.

E pronto, fomos as duas para a Bertrand online. Agora é rezar para que o carteiro seja um querido e não atrase a entrega .

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Entretanto, ficam os versos que me inspiraram esta noite.

 

Armários na noite,  Alice Vieira

"esperar que voltes é tão inútil como o
sorriso escancarado dos mortos na
necrologia dos jornais
e no entanto de cada vez que
a noite se rasga em barulhos no elevador e
um telefone se debruça de um sexto andar
sinto que ainda ficou uma palavra minha
esquecida na tua boca
e que vais voltar
para a devolver."
 
 
 
Poesia Reunida, Maria do Rosário Pedreira
 
"Deixei de ouvir-te. E sei que sou
mais triste com o teu silêncio.
Preferia pensar que só adormeceste; mas,
se te encostar ao meu ouvido,
não escutarei senão a minha dor.
Deus precisou de ti, bem sei. E
eu não vejo como censurá-lo
ou perdoar-lhe."

 

15
Jan26

Entre partidas e chegadas... 1984


ROMI

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"Era um dia  de abril frio e luminoso , e os relógios batiam as treze."

Tive, desde o início, a nítida sensação de que não era um livro para ser lido em casa, como se o espaço reservado à leitura fosse demasiado pequeno . Mas também não é um livro para a luz do dia, por muito que goste de ler à beira-mar. É um livro para ser lido em viagem, de preferência de comboio, onde cada estação é uma página e cada paisagem, uma frase.

 

Está decidido. Tendo em conta que o livro não é muito grande, permite uma viagem de ida e volta no mesmo dia.

Comboio de ida
Lisboa Oriente → Faro
Partida de Lisboa Oriente às 10:02
Chegada a Faro às 13:30

Regresso
Partida de Faro às 14:15
Chegada a Lisboa às 17:47

Depois eu conto…

 




 

 

23
Dez25

Desembrulhar Gestos...


ROMI

Há presentes que chegam embrulhados em papel e assim permanecem. Prometi abrir na noite e à hora em que, supostamente, o Pai Natal anda a distribuir presentes a quem se portou bem.

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Há presentes que chegam embrulhados em gestos. Poemas Reunidos, de Pedro Mexia, é um deles. É quase como quem chega a casa e encontra uma voz conhecida à espera.

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Vai para a prateleira das vozes que acho que conheço, aquelas a que regresso vezes sem conta para reler um conto, um poema, uma frase. Como quem desembala pesamentos... 

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Ontem, por exemplo, José da Xã foi a companhia ao jantar. 

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Que sorte a minha...

19
Dez25

Um aniversário fora do roteiro, entre pedras e páginas...


ROMI

No dia do meu aniversário, decidi começar a manhã com um mergulho numa piscina de água aquecida, claro. Rodeada de pessoas especiais, quebrei a tradição de passar este dia sozinha.

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De férias, proporcionei-me algo diferente. Não a rota dos castelos, mas a visita a lugares que sempre desejei conhecer com calma, sem ser apenas de passagem. Acordar em Monsanto foi mágico. 

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Uma aldeia singular, construída entre enormes penedos, onde as casas parecem brotar da própria rocha. No topo, ergue-se o castelo medieval, com uma vista ampla sobre a planície, reforçando a sensação de estarmos num lugar intemporal e quase mítico.

 

 

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Seguiu-se Óbidos, vila medieval muralhada, marcada por ruas empedradas, casas brancas com faixas azuis e amarelas e varandas floridas. Nesta época, transforma-se numa verdadeira Aldeia de Natal, com iluminação vibrante e mercados temáticos.

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Para mim, uma das maiores surpresas são as livrarias espalhadas pela vila. Destaco a livraria instalada na antiga Igreja de São Tiago, pela sua originalidade, onde as estantes ocupam as paredes e convivem harmoniosamente com o altar e os elementos sacros.

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Contudo, a minha eleição vai para a Livraria do Mercado, onde o primeiro impacto é quase sensorial. Antes mesmo de olhar, sente-se o cheiro intenso a livros, a papel e a tinta. Um aroma denso que remete para bibliotecas antigas e convida a leituras demoradas. É uma experiência que envolve mais do que a visão, cria uma intimidade imediata com o espaço e transforma a visita num momento de memória e prazer.

 

 

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Prometo voltar, fora do ambiente natalício, para uma ligação ainda mais profunda com Óbidos, a verdadeira vila literária.

 

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