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DESABAFOS

Razoavelmente insuportável…

Razoavelmente insuportável…

DESABAFOS

23
Dez25

Recado ao Pai Natal...


ROMI

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Meu querido, este ano sou só eu.  A gata Luna foi para o céu, já deve saber. Corre por pastos onde não há inverno. A falta que ela faz, é uma presença que eu ainda consigo sentir. Não se preocupe em passar por aqui. Não há sapatinhos na chaminé. A menos que queira descansar ou, quem sabe, até jantar. Mas em silêncio, como dois amigos que não precisam de palavras. Não teremos couves nem bacalhau. Nem doces. Nem vinho do Porto. Nem árvore de Natal. Nem vontade de ter. Ignore a sugestão. Descanse e jante numa casa com Natal, a festa da família. 

Na minha restam lugares vazios, sem nomes e sem rostos. Nunca foram preenchidos. Eu não sou filha de ninguém. Sem dramas. Por vezes, a maior celebração é apenas estar em paz com o vazio. E estou. 

Que a luz desta época chegue a todos, não só pelo brilho das decorações, mas pelo calor que guardamos cá dentro. 

Feliz Natal.

03
Out25

Compasso de espera...


ROMI

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Ainda não passou um mês desde que a minha gata partiu, e já perdi a conta às vezes que me sugeriram adotar outra. Como se a sua ausência fosse um mero inconveniente: uma camisola que se rasgou, um sapato que descolou e urge substituir. Quem nunca criou uma relação verdadeira com um animal, quem nunca partilhou brincadeiras, afeto e rotinas, dificilmente compreende que a perda não é “só um gato”. É família. É a ausência de uma companhia que, durante quinze anos, fez parte da minha vida. A sugestão de “adotar logo outro” é fria, porque ignora o luto, a memória e o espaço que ainda está dolorosamente preenchido, o lugar que é dela. É uma ligação intemporal: não se apaga, não se substitui. Ninguém substitui um familiar que morre.

Os nossos animais não são objetos de estimação; são seres com quem partilhamos amor. Eu sei que não é por maldade; é antes uma forma de cuidado, uma tentativa de me oferecerem companhia no vazio que ficou. Um remendo, como se um novo afeto pudesse costurar de imediato a ausência.

Eu preciso de tempo. Tempo para honrar a vida que partilhei com a minha gata. A minha menina. A minha Luna. E, por agora, não me peçam: não teria capacidade para amar outra.

 

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27
Nov24

Por falar de amor...


ROMI

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A Luna tem 14 anos. No ano passado, esteve muito doente. Acredito que não foram os medicamentos, foi o amor que a salvou. A dedicação, estar com ela noite e dia, não a deixar ir. Dar-lhe comida à boca, conversar com ela. Aos poucos, foi recuperando.

A dinâmica alterou-se: as travadinhas das três da manhã, em que corria pela casa toda, trepava paredes, depois acalmava e olhava-me, como se eu fosse o rebuliço, acabaram. Agora, está muito tranquila. Quer apenas comer e dormir. Não fica triste quando saio de casa e recebe-me à porta por hábito. Já não rebola feliz.

Mas hoje demorei. Estive mais tempo fora do que o habitual. E a velha Luna voltou. Não me largou. Voltou a subir para a cadeira só para estar ao pé de mim. Jantei com ela ao colo — e ela não gosta de colo. Agora, vou embrulhá-la na mantinha, esperar que adormeça. Esperar que me perdoe se por momentos se sentiu abandonada. 

 

IMG_20180206_093252.jpg Sem ela a minha vida era bem mais triste... 

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