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DESABAFOS

Razoavelmente insuportável…

Razoavelmente insuportável…

DESABAFOS

23
Jul25

"The Cold Song"...


ROMI

  

 

"The Cold Song", na interpretação de Nanette Scriba, não soa como uma canção, mas como um lamento congelado no tempo. É, no fundo, um grito de não querer voltar, preferindo o frio da morte ao calor do regresso.
A música é gelada: no tom, no ritmo e até na forma como é cantada, quase como um lamento do além. Provoca-me um arrepio estranho, uma mistura de beleza, tristeza e desconforto, como se também eu tivesse acabado de ser arrancada da neve, sem vontade, sem força, só para sussurrar que preferia congelar novamente e assim permanecer.
 
Tradução (+ -)
 
"Que poder és tu, que do fundo
Me fizeste erguer, contra a vontade e com lentidão,
Das camas de neve eterna?
Não vês como estou rígido, velho e estranho,
Totalmente inapto a suportar o frio amargo?
Mal consigo mover-me ou respirar...
Deixa-me, deixa-me congelar novamente até à morte!"
 
 
 
11
Nov24

Não tenham medo do que não existe...


ROMI

Meus queridos, personagens inventadas por mim, estão reunidas todas as condições para o isolamento social — e ainda bem. Estava adoentada, não muito, fiquei a trabalhar a partir de casa, com refeições e medicamentos à distância de um clique, sem ter de sair do conforto do lar, incomodar o vizinho, o amigo ou o parente mais próximo, que vive a 8000 km de distância (e isto é rigorosamente verdade).

Mas um mal nunca vem só; nisto os provérbios não falham. Claro que a pessoa não vai para nova, e as maleitas do passado atuam como um relógio, ainda que não haja mudança de tempo. No caso da minha avó, quando lhe doíam as cruzes, o tempo mudava. No meu caso, e só porque sim, o dedo que lesionei no basquete volta e meia desata a doer, e tenho de lhe pôr um aparato elástico para o apaziguar e adquirir alguma mobilidade — mas pouca.

E cá vou, rodeada dos meus males menores e maiores, numa companhia improvisadamente feliz: Livros, música, filmes e ,claro, a minha gata. 

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E por falar em filmes... 

            

Alguém me disse: se dás atenção à música de um filme, é porque o filme não é bom o suficiente.

Possivelmente o filme não foi bom o suficiente. A banda sonora, sim. "N'ayez pas peur du bonheur il n'existe pas." Assim, como um dogma: "Não tenhas medo da felicidade, ela não existe". É quase como pedir para não ter medo do papão — ele também não existe.

Não vou entrar em divagações sobre felicidade, já que é um tema que domino tão bem quanto física quântica. E ser feliz é uma coisa que me irrita. Por norma, o que nos faz felizes no momento, é o que nos causa infelicidade no futuro. E isto também é válido para chocolates e sapatos. Quilos e calos, bem entendido.

Não me lembro do nome do filme*. Partilho a música que me deixou tão feliz.

 

  

 

20241109_171020-EDIT.jpg   * "As Recordações". 

20
Set24

Retalhos de Um Serão...


ROMI

 

           

 

O computador para ouvir música. Um livro para ler. Caderno e caneta fazem parte de qualquer cena que eu protagonize; são como os miúdos: "andam sempre atrás". Aleatoriamente, a música Sebastien, dos Cockney Rebel. Sebastien reportou-me ao sr. Sebastião, vizinho da minha avó, que referia várias vezes ao dia que a Tézinha, vizinha da frente, era muito velhaquinha. Acho que o sr. Sebastião nutria um sentimento muito nobre pela Tézinha, mas não era correspondido. Porém, era a Tézinha que lhe valia em momentos de aflição. E mais não digo, que eu gosto de escrever no papel e só depois passar para o computador. Que comece o serão...  

 

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16
Fev24

Behind the Candelabra: My Life with Liberace (filme)


ROMI

Uma declaração de amor. 

E quando um homem gosta de um homem o que se chama? 

- Chama-se amor...

 

 

 

 

 

"Porque te amo? Amo-te não apenas pelo que és, Mas pelo que eu sou quando estou contigo. Amo-te não apenas pelo que fizeste de ti mesmo, mas pelo que estás a fazer de mim. Amo-te por ignorares as possibilidades do tolo em mim, e por aceitares as possibilidades do bom em mim. Porque te amo? Amo-te por fechares os olhos às discordâncias em mim. E por acrescentares música em mim através da escuta reverente. Amo-te por me ajudares a construir da minha vida não uma taberna, mas um templo. Amo-te porque fizeste tanto para me fazer feliz. Fizeste-o sem uma palavra, sem um toque, sem um sinal Fizeste-o apenas sendo tu próprio. Talvez afinal, isso é o que o amor significa. E é por isso que te amo."

"Why do I love you? I love you not only for what you are, But for what I am when I'm with you I love you not only for what you have made of yourself, But for what you are making of me. I love you for ignoring the possibilities of the fool in me, And for accepting the possibilities of the good in me. Why do I love you? I love you for closing your eyes to the discords in me, And for adding to the music in me by worshipful listening. I love you for helping me to construct of my life Not a tavern but a temple I love you because you have done so much to make me happy. You have done it without a word, without a touch, without a sign You have done it by just being yourself Perhaps after all, that is what love means And that is why I love you."

13
Jul22

O SENHOR DO CACHIMBO...


ROMI

Era costume fumar na janela da marquise, para ver o pôr do sol. Na varanda da vivenda em frente, um senhor, de meia idade, barba branca e ar distinto, fumava cachimbo. Se os olhares se cruzassem, dizíamos, imperceptivelmente, boa tarde e nada mais. Por norma, e para meu deleite, havia sempre uma música clássica no ar. Uma em particular que eu gostava muito, sabia que era do Pavarotti, mas não sabia o nome da ária.  Enchi-me de coragem e perguntei-lhe. Caruso, respondeu ele. A partir desse dia, sempre que eu ia à janela, ele punha Caruso. E eu agradecia-lhe com um acenar de cabeça e sorriso discreto. O senhor, não sei o nome, manteve o ar distinto, apesar de cada dia mais débil. Quando umas senhoras, vestidas de preto, encerraram de vez as portadas das janelas, deduzi que faleceu. Eu, em homenagem, continuo a ouvir Caruso. O senhor já não está. E mesmo que estivesse, não o poderia ver. Nem ao pôr do sol. As árvores do jardim de baixo cresceram imenso. De tal forma que quando vou à janela, só vejo o cume das árvores. Mas gosto de acreditar, que o senhor do cachimbo está lá e que põe Caruso só para mim.

Eu quando ponho, é para os dois... 

  

 

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