O Sossego das Cores...
ROMI

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ROMI

ROMI

a noite interdita
no gesto proibido.
o desenho suave
da cicatriz
na memória do quarto.
jardim despido
de flores,
de sonhos,
de sons,
de ti
sem mim.
ROMI

Gosto da noite.
Não é só o silêncio, nem apenas a ausência de compromissos. É outra coisa. Tenho mais energia, sou mais criativa, até as conversas saem mais articuladas. Os pensamentos acordam, as memórias ganham vida, tudo se acende quando a luz do dia se esconde. À noite, sou mais bonita. Não tenho dúvida. A tolerância sobe um patamar, como se também ela preferisse o lusco-fusco.
O único senão é que detesto dormir. Mas adoro acordar.
Acordo cedo, sempre. Mesmo ao fim de semana. E não me incomoda nada. Pelo contrário: gosto da casa em silêncio. Gosto que assim continue durante a meia hora seguinte.
Não é um silêncio absoluto, há uma música baixinha que faz parte dele. O telemóvel permanece sem som. O meu raciocínio ainda está algures, esquecido numa almofada.
E eu gosto disso. Gosto desse tempo em que não se exige pensamento nem resposta. Gosto da penumbra que reflete, envergonhada, a lâmpada de baixa voltagem do candeeiro, que não queria ali estar, por se sentir desautorizado no cumprimento das suas funções.
Que ninguém me fale. Que ninguém me apresse. Preciso dessa espécie de transe, lenta, muito lenta, que me devolve a mim, integralmente. A metamorfose até ser toda eu. E é assim que me permito cantar no banho. E dançar em frente ao espelho enquanto me visto.
E saio para a rua.
Atrevida.
Desinibida.
Vejo-me refletida numa montra e retoco o batom.
Foto do meu albúm "Por aí"...
ROMI
Não há príncipes?
Não faz mal.
Escrevem-se histórias de sapos.
Não há luz?
Não faz mal.
Lê-se à luz improvisada.
Às vezes são as noites escuras que nos iluminam por dentro.

ROMI

O sono baila airosamente.
Débil, quase um pressentimento.
Rascunhos de saudade
emergem da solidão,
e bocejam na memória
da minha porta.
O relógio, em vez de avé Marias,
chora badaladas.
Doze.
Devagar, apagam-se
os ruídos da cidade.
Luzes piscam despedidas
nas janelas entreabertas.
Cada sombra
sabe exatamente onde se deitar.
Aninha-se o silêncio no dia adormecido.
Os medos também precisam de descansar…
Boa noite.
ROMI

No gesto altruísta de quem decide oficializar a distância, parti.
Partir é quase morrer... com a capacidade de ressuscitar.
Pesa o silêncio a que a memória se habituou.
Esboço um sorriso que não é o meu ...
Esse morreu ontem à noite.
A noite, essa, mantém-se lá fora...
E são duas da manhã.
Uma janela que se fecha...
A minha...
Como um Novembro sem calma...
Um episódio em forma de fim.
Alguém que morreu, sem partir
e ainda não sabe.
As ondas, essas, morrem na praia.
Nem todas vão para o céu...
Foto do álbum "Os meus serões".
ROMI
Mudou a hora, anoitece mais cedo.
“Penso, com frequência, que a noite é bem mais viva e tem um colorido mais rico do que o dia.” Concordo com Van Gogh. À noite tudo parece poesia. A prova, "a vista da minha janela” a horas diferentes.
Sem desprimor para as outras destaco esta, tirada em Istambul, onde à noite é bem visível a Ponte do Bósforo.

Dubai Marina

Tirana (Albania)

Dubai Metro Station

Da janela do avião, num céu por aí

Nicósia (Chipre)

Janela da minha casa (Portugal, por enquanto...)

Eu, preto e branco, versão espantalho. Mas à noite nem se nota nada (angel face)

Imagens do meu álbum : quando a paisagem anoitece…
ROMI



Pedro Mexia, rodeado de gulodices, outrora um maço de tabaco. Certamente...
ROMI

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