Pré-hibernação...
ROMI

Quase Natal. A fase ideal para me fingir de morta e assim evitar recusar os convites dos que insistem em não desistir. Já avisei que vou hibernar. Tenciono negligenciar todos os jantares próprios da época. Cheguei àquele ponto em que o espírito natalício desperta mais vontade de desaparecer do que de pendurar luzes. Os convívios sugam mais energia do que um turno inteiro de trabalho e a repetição das mesmas conversas sobre idade e artroses torna tudo ainda mais desmotivante. Todas da mesma geração: umas dizem que estão velhas e acusam as outras de não assumirem os anos que têm. Quero lá saber se quem tem a minha idade se sente velho. Não se deixasse envelhecer. Ai e tal, já não vamos para novas. Eu, vou. Vou para nova, para aqui, para ali, vou para onde eu quiser. A sorte é não ter o hábito de comprar presentes para porem no sapatinho. Ia tudo corrido a bengalas (o corretor sugere-me bengaladas, calma, não chegamos a tanto).

Se alguém me perguntar o que desejo para 2026, a resposta será simples: paz, paciência e silêncio absoluto, com todos(as) à distância regulamentar de 200 000 metros, sendo o seu não cumprimento passível de coima.
