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DESABAFOS

Razoavelmente insuportável…

Razoavelmente insuportável…

DESABAFOS

08
Out25

Fora de Horas...


ROMI

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Para mim, um relógio de pulso não precisa dar horas. Basta ser bonito. Pode estar parado. Uso-o só como adereço, uma pulseira com mais pormenores. Por norma uso dois, às vezes três, um mais pequenino, quase camuflado, e uma série de pulseiras a disfarçar.
Estranho que nunca me tenham dito nada. As pessoas costumam chamar a atenção para o que usamos, como se não soubéssemos o que estamos a usar. Nem quero saber o que pensam, até porque, provavelmente, também não devem saber o que pensar. À primeira vista, pareço uma pessoa normal.
E surpresa das surpresas, quando uma colega, ao passar-me um dossier, exibe no pulso não um, mas dois relógios. Ignoro. E de tanto ignorar, já é prática comum: no escritório, todas usamos, por norma, dois relógios. Às vezes três.
Hoje, com tantos meios à nossa disposição para ver as horas: telemóvel, computador, aparelhos domésticos, outdoors luminosos , etc., faz mais sentido usar o relógio, para quem gosta, apenas como adorno.
Dizem que o tempo passa depressa, mas aqui anda perdido, a tentar perceber qual dos relógios manda. E nós, pontualmente desfasadas, continuamos impecáveis, fora de horas.

27
Dez23

Rebeldias...


ROMI

Na habitual forma egoísta de evitar ficarem preocupados, as tropas não queriam que eu fosse à passagem de ano com amigos. Depois de muitas negociações, até prometi usar o relógio no braço esquerdo (para a minha madrasta era um manifesto ato de rebeldia usar no direito), o ultimato: posso ir, mas não posso levar o meu carro. Carro esse, estrategicamente estacionado de modo a ser controlado da janela. Falhei na promessa com o relógio, mas aí cumpri. Não levei o meu carro, roubei o carro ao meu pai, estacionado em ângulo morto.

A esta distância, sinto que não lhes facilitei a vidinha. Gorei todos os planos que tinham para mim. A minha também não foi facilitada, apesar de ter feito sempre o que quis, nunca nada foi feito como quis: era o fato de treino sobre a minha roupa normal e avisar que chegava tarde, tinha treino de basquete. Era sair com a saia pelo joelho e dar duas ou três voltas no cós para que ficasse dois palmos afastada. Era subornar, com beijinhos, a porteira para que me entregasse o boletim das faltas da escola. Era entrar pela porta, à hora marcada, avisar “já cheguei” e sair pela janela quase no mesmo instante. 

Tudo isto causa uma ansiedade viciante, tudo o que não fosse arriscar não tinha sabor. Nunca fiz nada que os prejudicasse ou envergonhasse. Agradeço todos os valores que me transmitiram, principalmente a minha madrasta. O meu pai era mais cúmplice, compactuava com ela só para não a desautorizar, para a agradar. No fundo, ele queria lá saber. Até dizia, sem orgulho, que eu saía a ele. 

Hoje não há regras, só as sociais. Não há tropas para contrariar. As janelas não substituem as portas. O relógio permanece no braço direito só por hábito. Há a passagem de ano marcada com amigos. E um vazio. Talvez das lembranças que se despediram do presente. A saudade e a solidão emergem como protagonistas, a desconexão com a multidão. A necessidade de contrariar. 

Hotel marcado, Alcobaça. Onde não conheço rigorosamente ninguém. Um desejo: espero que chova… 

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03
Abr22

PORQUE HOJE É DOMINGO...


ROMI

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Aos domingos visto-me de branco, solto o cabelo e sorrisos e ponho gravata..
Vou por aí, com rumo incerto, como gaivotas desnorteadas que perderam o mar.
Faço do sol o meu melhor amigo, ignoro as horas.Os ponteiros do relógio são simplesmente pormenores mal situados.
Aos domingos tenho a semana à porta. Agitada, turbulenta.
É lá que fica, não reúne condições para entrar ...

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